Calendário sagrado · CCPJO

Festejos que marcam
o tempo e a memória

Os festejos da Casa de Caridade Pai Jacob do Oriente são momentos de conexão, resistência e celebração das tradições de matriz africana. Realizados ao longo do ano, essas cerimônias reforçam o compromisso com a valorização cultural e espiritual da comunidade, além de fortalecerem os laços entre terreiros, comunidades e simpatizantes em Belo Horizonte e Minas Gerais.

Festa dos Pretos Velhos

Noite da Libertação

Maio · Praça 13 de Maio, Graça Mais de 40 anos de realização Patrimônio Imaterial de BH
Anual · Maio

A Noite da Libertação é uma das celebrações mais antigas e significativas organizadas pela Casa de Caridade Pai Jacob do Oriente. Realizada anualmente na Praça 13 de Maio, no bairro da Graça, a festa marca o Dia da Abolição da Escravatura e presta homenagem aos Pretos Velhos — entidades que representam a sabedoria, a paciência e a resistência dos ancestrais africanos escravizados no Brasil.

O evento reúne terreiros, centros e comunidades de axé de toda a região metropolitana de Belo Horizonte em um ato de fé coletiva que é, ao mesmo tempo, político e espiritual. A praça se transforma num grande terreiro a céu aberto, onde cânticos, defumações, passes e rezas se mesclam com a força do povo de santo reunido.

Realizada há mais de quatro décadas, a Noite da Libertação foi reconhecida em 2019 como Patrimônio Cultural Imaterial de Belo Horizonte — um processo liderado pela própria CCPJO junto ao Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de BH. O reconhecimento oficializa o que o povo de axé já sabia: esse festejo é memória viva da cidade.

O evento também fortalece o movimento contra a intolerância religiosa, afirmando publicamente que as tradições de matriz africana têm direito de existir, celebrar e ocupar o espaço público com dignidade e orgulho.

Noite da Libertação
Noite da Libertação
Noite da Libertação
Noite da Libertação
Noite da Libertação
Noite da Libertação
Noite da Libertação
Festa de Iemanjá

Encontro com Iemanjá

Agosto · Lagoa da Pampulha Mais de 60 anos de realização Patrimônio Imaterial de BH
Anual · Agosto

O Encontro com Iemanjá é um dos eventos de matriz africana mais tradicionais de Belo Horizonte. Realizado anualmente na Lagoa da Pampulha, o festejo reúne dezenas de terreiros, centros e comunidades afro-brasileiras em uma celebração pública à Rainha do Mar — orixá das águas, da fertilidade e da proteção.

A celebração acontece há mais de sessenta anos e envolve uma carreata de terreiros até a orla da Pampulha, onde são realizados rituais, cânticos, danças e a tradicional entrega de oferendas às águas. É um ato de fé que também afirma a presença e a força do povo de axé no espaço público da cidade.

Desde 2012, a CCPJO assumiu a coordenação e organização do evento, ampliando sua abrangência e visibilidade. Em 2019, o Encontro com Iemanjá foi reconhecido pelo Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Belo Horizonte como Patrimônio Cultural Imaterial da cidade — resultado de um processo iniciado pela própria CCPJO dois anos antes.

O festejo também foi tema do documentário "Encontro com Iemanjá: Para Além dos Olhos", produzido com recursos do Fundo Estadual de Cultura e dirigido com metodologia de auto-registro pelo próprio povo de axé — um registro audiovisual que é em si mesmo um ato de resistência e memória.

Iemanjá 2022
Iemanjá
Festa Iemanjá
Iemanjá 1988
Oferendas Iemanjá 1991
Iemanjá 2024
Iemanjá 2024
Iemanjá 2024
Iemanjá 2024
Encontro com Iemanjá
Encontro com Iemanjá
Encontro com Iemanjá
Confluências Afro-indígenas

Pisada de Caboclo

Novembro · CRCP Lagoa do Nado Desde 2017
Anual · Novembro

A Pisada de Caboclo — Confluências Afro-indígenas nasceu em 2017, a pedido do Caboclo Roxo e de Pai Ricardo, como um gesto de reconhecimento e celebração da ancestralidade indígena que também compõe a tradição dos povos de matriz africana, representada pela linha dos caboclos.

Realizada no Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado, a Pisada reúne terreiros, tendas e centros de axé junto a lideranças e comunidades indígenas — Maxakali, Xacriabá, Pataxó, Pataxó Hahahae, Quechua, Kamakã Mongoió, Guaranis, Tupinambás e Huni Kuin — num encontro que celebra as confluências entre essas tradições ancestrais.

O evento é uma afirmação de que a espiritualidade afro-brasileira carrega em si as marcas do encontro com os povos originários deste território. Os caboclos — entidades que habitam as matas e as águas — são a expressão viva dessa memória compartilhada entre africanos e indígenas.

A cada edição, a Pisada de Caboclo se consolida como um espaço único de diálogo interétnico, de trocas de saberes e de fortalecimento coletivo das comunidades tradicionais em Belo Horizonte e Minas Gerais.

Pisada de Caboclo 2024
Pisada de Caboclo 2023
Pisada de Caboclo 2023
Pisada de Caboclo 2023
Pisada de Caboclo 2023
Pisada de Caboclo 2023
Pisada de Caboclo 2023
Pisada de Caboclo 2024
Pisada de Caboclo 2024
Pisada de Caboclo 2024
Pisada de Caboclo 2024
Pisada de Caboclo 2024
Dia Internacional pelo Combate à Discriminação Racial

Ato 21 de Março
Zumbi e Dandara Vivem em Nós

21 de Março · Belo Horizonte Ato público e político
Anual · Março
Ato 21 de Março 2025

O Ato 21 de Março — Zumbi e Dandara Vivem em Nós é uma ação pública realizada pela CCPJO em memória ao Dia Internacional pelo Combate à Discriminação Racial. A data marca o Massacre de Shaperville, ocorrido em 1960 na África do Sul, quando 69 pessoas negras foram assassinadas durante um protesto contra as leis do Apartheid.

No Brasil, o 21 de Março também é o Dia Nacional pela Eliminação da Discriminação Racial — e a CCPJO o celebra como um ato de resistência cultural e política, evocando a memória de Zumbi e Dandara dos Palmares, símbolos da luta negra por liberdade, dignidade e autodeterminação.

O ato reúne comunidades de terreiro, movimentos sociais, artistas e aliados em um espaço público de Belo Horizonte, afirmando que a luta antirracista é parte inseparável da espiritualidade afro-brasileira. Cantos, falas, performances e a presença coletiva do povo de axé nas ruas são a forma da CCPJO dizer: Zumbi e Dandara vivem em cada pessoa que resiste.

A escolha do nome é também uma afirmação de que a ancestralidade não é apenas passado — ela habita o presente de cada terreiro, cada família, cada luta. Celebrar o 21 de Março é reconhecer que a resistência negra é contínua, viva e necessária.

Ato 21 de Março 2025
Ato 21 de Março 2025
Ato 21 de Março 2025
Ato 21 de Março 2025
Ato 21 de Março 2025
Festejo da CCPJO

Kinanga

CCPJO · Lagoinha Tradição da casa
Anual

O Kinanga é um dos festejos mais íntimos e significativos da Casa de Caridade Pai Jacob do Oriente. O nome vem da tradição bantu — matriz da Umbanda praticada na CCPJO — e designa uma celebração de renovação, de limpeza espiritual e de fortalecimento dos laços entre a casa e seus filhos de santo.

Diferente dos grandes eventos públicos como o Encontro com Iemanjá ou a Pisada de Caboclo, o Kinanga é um festejo enraizado na vida interna do terreiro — uma festa da casa para a casa, que reúne filhos, ogãs, equedes, convidados e a comunidade da Lagoinha em torno da tradição viva que Pai Ricardo preserva e transmite.

O festejo envolve rituais de axé, toque de atabaques, cânticos ancestrais e a presença das entidades que habitam a casa. É um momento de escuta, de gratidão e de reafirmação dos compromissos espirituais que sustentam a CCPJO há mais de cinco décadas.

Realizar o Kinanga é também um ato de resistência cultural — é manter viva uma prática que o racismo religioso tentou apagar, e que a CCPJO celebra com orgulho, fé e alegria.

Kinanga
Kinanga
Kinanga
Kinanga
Kinanga
Kinanga
Kinanga
Kinanga
Kinanga
Festival · Expressões da Matriz Afro em BH

Laços da Ancestralidade

Novembro · Belo Horizonte 2021 — 2023
Festival
Laços da Ancestralidade

O Festival Laços da Ancestralidade — Expressões da Matriz Afro em BH é uma celebração que envolve o reconhecimento do território tradicional da matriz afro em Belo Horizonte para além de seus limites geoespaciais. Realizado no mês de novembro, o festival integra o calendário de resistência cultural da CCPJO e do povo de axé da cidade.

Cada edição do festival inclui atividades como o laço na gameleira — ritual de conexão com a natureza e com os orixás —, rodas de escuta, encaminhamento de carta de compromisso, apresentações culturais e uma feira de afroempreendedorismo que fortalece a economia do povo de terreiro.

O objetivo do Laços da Ancestralidade é fortalecer a valorização cultural, econômica e social da presença dos povos e comunidades tradicionais de terreiro em Belo Horizonte, criando um espaço onde arte, espiritualidade, política e economia se encontram sob o signo da ancestralidade.

O festival também celebra a diversidade interna das tradições de matriz africana, reconhecendo que cada terreiro, cada casa, cada comunidade carrega uma forma única e legítima de viver e transmitir o axé.

Laços da Ancestralidade
Laços da Ancestralidade
Laços da Ancestralidade
Laços da Ancestralidade
Laços da Ancestralidade
Laços da Ancestralidade
Laços da Ancestralidade
Laços da Ancestralidade
"Cada festejo é um ato de resistência. É dizer ao mundo que nossa fé existe, pulsa e ocupa o espaço público com dignidade e axé."

Casa de Caridade Pai Jacob do Oriente

Os festejos da Casa de Caridade Pai Jacob do Oriente (CCPJO) são momentos de conexão, resistência e celebração das tradições de matriz africana. Realizados ao longo do ano, essas cerimônias e eventos reforçam o compromisso com a valorização cultural e espiritual da comunidade, além de fortalecerem os laços entre os participantes.

Entre os principais festejos organizados pela CCPJO, destacam-se:

ENCONTRO COM IEMANJÁ

Uma celebração em homenagem à Iemanjá, que acontece anualmente na Lagoa da Pampulha, com carreata até o local. Esse encontro reúne terreiros, comunidades e simpatizantes em um momento de fé e união, com rituais, músicas e entrega de oferendas. O evento ocorre há mais de 40 anos.

PISADA DE CABOCLO

Uma reverência à força dos caboclos, que simbolizam a conexão com a natureza e os saberes ancestrais. Esse evento reúne cânticos, danças e celebrações em honra às entidades que representam resistência e sabedoria.

NOITE DA LIBERTAÇÃO FESTA PARA PRETO VELHO

Realizada na Praça 13 de Maio, essa celebração marca o Dia da Abolição da Escravatura e homenageia os Pretos Velhos, símbolos de sabedoria e resistência. Um momento de fé e reflexão, que também fortalece o movimento contra a intolerância religiosa.

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