Casa de CaridadeDesde 1966 · Lagoinha, Belo Horizonte
A família Moura se estabeleceu no território da Lagoinha na década de 1940, enraizando práticas familiares e tradicionais de matriz africana de Umbanda que atravessariam gerações e dariam origem a um dos terreiros mais importantes de Belo Horizonte.
A história da CCPJO começa na década de 1940, quando a família Moura se estabeleceu na região da Lagoinha, em Belo Horizonte. Esse território, conhecido como Buraco Quente, tornou-se o berço de práticas culturais e espirituais de matriz africana, conectando gerações às suas raízes ancestrais.
Em 1966, Joaquim Camilo e Maria das Dores de Moura fundaram a Casa de Caridade Pai Jacob do Oriente, inspirados pelas tradições bantu preservadas de suas origens em Domingos do Prata e Oliveira, Minas Gerais.
Em 1967, o casal decidiu se desligar do Centro da Dona Maria Concórdia e fundar, em sua própria casa, um barracão de um cômodo, feito de adobro, coberto com lona e madeira. As sessões espirituais exigiam que empilhassem os móveis para liberar espaço, e o altar, simples e improvisado, era montado com tijolos, madeira e latas de óleo.
Joaquim Camilo incorporava o preto velho Pai Jacob do Oriente — entidade que daria nome à casa. Junto a Maria das Dores, oferecia passes, orientações espirituais e receitas de remédios à base de ervas e plantas, ajudando uma comunidade carente de recursos públicos essenciais.
A família se estabelece no Buraco Quente, iniciando práticas culturais e espirituais de matriz africana que atravessariam gerações.
Joaquim Camilo e Maria das Dores de Moura fundam a Casa de Caridade Pai Jacob do Oriente, inspirados pelas tradições bantu de suas origens em Minas Gerais.
O casal se desliga do Centro da Dona Maria Concórdia e inaugura o barracão próprio — um cômodo de adobro, coberto com lona e madeira, onde o culto de Umbanda começa a florescer.
Em 16 de setembro, a CCPJO é registrada oficialmente, consolidando sua presença na comunidade e fortalecendo sua missão de preservar e disseminar as tradições afro-brasileiras.
O "Centro do Camilo" cresce ao longo do tempo. Quando a cerca em frente ao terreiro foi retirada, Joaquim Camilo anunciou que havia adquirido um novo lote — o terreiro estava se expandindo para acomodar o número crescente de fiéis.
Após a partida de Joaquim Camilo e Maria das Dores, Ricardo de Moura assumiu o terreiro. Pai Ricardo cuida da casa até hoje, preservando e transmitindo as tradições afro-brasileiras para as novas gerações.
Após a partida de Joaquim Camilo e Maria das Dores, Ricardo de Moura assumiu o terreiro e cuida da casa até hoje. Com uma trajetória marcada pelo profundo conhecimento das tradições afro-brasileiras, Pai Ricardo se destaca pelo domínio de áreas essenciais para a preservação e transmissão da cultura de matriz africana.
Seus conhecimentos abrangem a identificação, classificação, manuseio e uso de ervas, os repertórios percussivos da tradição do axé de matriz Angola, além de técnicas de preparação e manuseio dos instrumentos musicais, cantos, benzeções, rezas e a consulta ao oráculo de búzios.
De maneira especial, ele se empenha em fortalecer a comunidade da Pedreira Prado Lopes e do Bairro Lagoinha, regiões historicamente marginalizadas, proporcionando apoio e pertencimento para todos.
"A CCPJO é, acima de tudo, uma casa de resistência, memória e renovação. Convidamos você a conhecer nossa história e fortalecer essa rede de axé."
Casa de Caridade Pai Jacob do Oriente · 1966–2025